"Abre a tua boca a favor
do mudo pelo direito
de todos os que estão
em desolação...
Julga retamente, e faze
justiça aos pobres
e necessitados."
PROVÉRBIOS 31: 8-9
 
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Editor: Seu Pedro
"Jornalista do Sertão"
 
Vanguarda Bahia
 
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No Brasil bonecos de Judas têm nomes, em Guanambi não "têm" traidores
 
Domingo, 04 de Abril de 2010  
 

Bonecos incorporam personalidades políticas, ou personagens envolvidos em grandes histórias do cotidiano e alguns lugares custam são feitos por artesão, que cobram de R$ 35 a R$ 50 A tradição de malhar o Judas no Sábado de Aleluia garante renda extra ao pedreiro Neilton Quirino há doze anos. Quem passa pela rodovia Melício Machado, no Mosqueiro, na Pará, os bonecos fabricados artesanalmente expostos à venda. O que começou com uma produção tímida, de doze peças, hoje atinge mais de cem unidades, que chegam a se esgotar na Semana Santa. 

 

“Comecei a vender porque uma vez, quando fiz um boneco para queimar aqui em casa, duas mulheres que passaram na pista perguntaram se eu vendia. Aí vi uma possibilidade de ganhar um ‘dinheirinho a mais”, lembra Quirino não falta criatividade. Os bonecos são travestidos de políticos, autoridades e homens comuns. Ele conta que muitos clientes chegam a encomendar “Judas” que sejam parecidos com algum desafeto, talvez enxergando aí uma possibilidade de se vingar por algum desentendimento.

 

Igualmente começa a tomar corpo trabalho artesão de José Santos, que no Campo Grande expôs meia-dúzia de bonecos, cuja a unidade variava de R$ 20 a R$ 30. As vendas começam no início da Semana Santa. “Este ano, com essa Notícias em site, tenho certeza que não vai sobrar nem um”, prevê.

 

Os bonecos são feitos com roupas doadas ou compradas em feirinhas e quermesses. O corpo é preenchido com palha. José diz que não coloca fogos de artifício porque não pode garantir a segurança na hora que for feita a queima do ‘Judas’. Cada peça leva uma hora para ser montada. O traje chega a roupas mais sociais, como terno e gravata.

 

Arruda, Daniel Almeida, Geddel, Lula e Wagner

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Dentre os bonecos mais procurados, ele revela que os políticos ganham disparados de qualquer outro sujeito. Mas isso varia conforme os acontecimentos no decorrer do ano. “Este ano o que estou vendendo mais é o Judas do José Arruda, mas ano passado o que as pessoas mais procuraram foi o do Geddel”, revela José, que já recebeu encomendas de bonecos representando Lula e Wagner e´até de putado Daniel Almeida, mas diz que o nome dos clientes é segredo.

 

Tradição é um desabafo do povo

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Malhação ou Queima de Judas é uma tradição que chegou ao Brasil através dos portugueses e espanhóis. Inicialmente criada para exorcizar as mazelas cotidianas na figura do traidor de Jesus Cristo, o discípulo Judas Iscariotes, nos últimos anos o rito ganhou uma forte conotação política e simbólica, hoje estendidas para os “traidores do povo”.

 

O boneco é sempre montado correspondendo às medidas de um tipo médio de homem e pendurado em ruas ou praças. Antes de atear fogo, os envolvidos na queima costumam elaborar um testamento onde os “bens” do “Judas” são dedicados a vizinhos ou parentes, no caso Lula dedicou a presidência a Dilma, que também, teve seu boneco, numa forma de incrementar a brincadeira. 

Em guanambi sem “Judas” preferido    

 

Em Guanambi, onde tradições religiosas e pagas da semana santa desaparecem, e padre já vai celebrar culto de sexta-feira santa como se estivesse em um campo de futebol, o mais interessante “Judas” não foi atribuído a ninguém. Saiu pelas ruas nos dias que atencederam sentado em uma cadeira puxada por uma bicicleta, acompanhada por um grupo de rapazes moradores do Bairro Monte Pascoal, alegremente não deixava m morre a tradição, e pediam a cada popular encontrado uma moeda para custear a "arte".

 

O comportamento dos jovens e alegria como conduziam a brincadeira, foi elogiado por moradores das diversa ruas do centro, que abram a porta para ver o que se tratava. Alguns ofereciam refrescos a “caravana de Judas”, dizendo: “É necessário manter estar tradições alegres, que fazem bem ao povo, assim como é necessário os padres voltarem a impor respeito com o uso das vestes talares”. E sabado de aleluia foi de paz!  


 
 
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